A dor crônica é um desafio silencioso que afeta milhões de trabalhadores em todo o mundo. Pesquisas apontam que cerca de 40% da população adulta convive com essa condição, sendo que muitos desses indivíduos continuam atuantes no mercado de trabalho. O impacto dessa realidade vai além do desconforto físico, refletindo diretamente no aumento do absenteísmo e do presenteísmo, fatores que reduzem a produtividade, elevam os custos empresariais e comprometem a qualidade de vida dos colaboradores.
Quando levamos em consideração o tempo de dor, classificamos como crônica aquela que persiste por mais de três meses, podendo ser causada por condições como lombalgia, artrite e neuropatias. Nas últimas décadas, a dor crônica deixou de ser somente um sintoma e passou a ser classificada como doença. Seu impacto se estende tanto ao absenteísmo quanto ao presenteísmo: muitos trabalhadores precisam se afastar para tratamento, aumentando os índices de ausência, enquanto outros continuam a exercer suas funções, mas com desempenho reduzido devido às limitações físicas e cognitivas impostas pela dor.

A lombalgia aparece como a dor crônica mais frequente, no Brasil em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, gerando altos custos econômicos e sociais.
Dados do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) dos Estados Unidos revelam que problemas musculoesqueléticos relacionados à dor crônica geram bilhões de dólares em perdas anuais para empregadores, devido a afastamentos e baixa produtividade.
De acordo com o estudo The Global Burden of Diseases (Carga Global de Doenças), a dor crônica musculoesquelética é a que causa limitações por mais anos de vida e que pode evoluir para incapacidades, porém, o seu real impacto pode ser subestimado.
Além disso, a dor crônica também tem relação com a saúde mental. Resultados do ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto) mostraram que maiores níveis de estresse no trabalho foram associados a um aumento de 50% na ocorrência de enxaqueca, 147% na ocorrência de episódios depressivos e 106% na ocorrência de dor musculoesquelética generalizada.

Do ponto de vista anatômico, existe relação entre dor crônica, depressão e transtorno de ansiedade. Pessoas com dor crônica têm mais chances de desenvolver essas comorbidades associadas e, juntas, essas doenças comprometem absurdamente a qualidade de vida e a produtividade, aumentando o número de atestados e afastamentos. E quanto mais essa questão é negligenciada, maiores serão os custos envolvidos.
O absenteísmo é definido como a ausência do trabalhador durante o expediente, seja por motivos de doença, problemas pessoais ou outros fatores e é uma das consequências mais evidentes da dor crônica. Esse fenômeno gera impacto direto na produtividade, sobrecarregando colegas de equipe e aumentando os custos operacionais das empresas.
Já o presenteísmo ocorre quando o trabalhador está fisicamente presente no ambiente de trabalho, mas não desempenha suas funções com eficiência devido a problemas de saúde ou outros fatores, como exaustão mental. Muitas vezes, a dor crônica é um dos principais motivos do presenteísmo, pois os indivíduos continuam a trabalhar mesmo quando não estão em condições ideais. Isso pode resultar em quedas na produtividade, aumento de erros e comprometimento da qualidade do trabalho. Estudos da Harvard Business Review mostram que os custos do presenteísmo podem ser até três vezes maiores que os do absenteísmo.

Para minimizar os efeitos negativos da dor crônica, do absenteísmo e do presenteísmo, é fundamental que as empresas adotem medidas preventivas e interventivas, tais como:
- Promoção da saúde ocupacional – Investir em ergonomia, pausas regulares e programas de qualidade de vida.
- Apoio psicológico e físico – Disponibilizar programas de suporte para saúde mental e física.
- Conscientização e prevenção – Campanhas educativas sobre a importância do cuidado com a saúde.
- Acompanhamento médico regular – Realizar exames periódicos e oferecer suporte para tratamentos necessários.
A educação em saúde é uma estratégia muito importante que facilita a adoção de medidas mais assertivas no manejo das dores crônicas. É preciso conhecer para saber o que fazer. Se a empresa não olha para o empregado, ela deixa de valorizar o seu recurso mais importante. Empregados satisfeitos e saudáveis são fundamentais para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer negócio.
Investir na realização de palestras que exponham temas tão relevantes como esse, permitem que gestores e funcionários aprendam a olhar a dor crônica de outra forma. Ao conhecer os impactos que dores crônicas subestimadas podem trazer para o ambiente empresarial, medidas efetivas podem ser tomadas a fim de evitar os altos custos financeiros e proporcionar maior fidelização da equipe, com reflexos altamente positivos na produtividade e na lucratividade da empresa.
A dor crônica não deve ser encarada como um problema individual, mas sim como uma questão organizacional que impacta, diretamente, nos índices de absenteísmo e presenteísmo. Empresas que implementam políticas de prevenção e apoio ao trabalhador podem reduzir significativamente os impactos negativos, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e inclusivo. Assim, o equilíbrio entre saúde e desempenho se torna possível, beneficiando tanto os colaboradores quanto a organização como um todo.
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