
A maioria das empresas ainda trata a dor como um evento pontual.
Como algo que precisa de solução rápida e baixa taxa de reincidência.
Mas não é assim que funciona. Principalmente para dores crônicas.
Tratar dor não é só cuidar da lesão
A dor crônica é um processo que envolve alterações musculares, mudanças no sistema nervoso, no comportamento e na forma como o indivíduo se relaciona com o próprio corpo e com o trabalho.
E é aqui que começa o erro das abordagens corporativas.
Porque quando o cuidado acontece restrito a datas específicas e considera a dor apenas como sintoma físico, o foco fica em soluções rápidas e o resultado não se sustenta.
O colaborador melhora por um tempo, mas depois, volta ao mesmo padrão.
Não porque o tratamento falhou. A abordagem é que foi limitada.
Entendendo a dor
Hoje, existe um consenso dentro da ciência da dor de que quanto maior o tempo de dor, menor será a sua dependência da existência da lesão.
E isso muda tudo.
Quando essa realidade é entendida, o manejo da dor tende a ser mais assertivo.
Na dor crônica, existem algumas particularidades que precisam ser esclarecidas:
- os exames nem sempre explicarão o que a pessoa sente;
- medidas pontuais não vão sustentar resultado;
- evitar movimento pode aumentar a sensibilidade à dor;
- o estresse passa a ser um fator de manutenção do problema.
Dor crônica no contexto empresarial

Agora traga isso para dentro da empresa.
Em um setor com alta prevalência de dor, é comum a implementação de rodízio das funções.
Na prática, isso raramente resolve. Pode até minimizar desconfortos no curto prazo. Mas, não altera o processo.
Com o tempo, a dor retorna. Ou simplesmente muda de lugar.
E essa abordagem limitada não aparece nos relatórios. Mas dá origem a um ciclo silencioso:
- a empresa propõe ações pontuais e espera resultado,
- o colaborador não melhora e se sente desassistido,
- o desempenho cai,
- e o problema se perpetua.
Campanhas pontuais são importantes, mas não sustentam resultados
É muito comum que as empresas realizem campanhas de meses temáticos e acreditem que “fizeram a sua parte”. Porém, esse é um grande equívoco.
É preciso buscar por intervenções que realmente mudem o cenário da empresa.
De nada adianta investir em eventos curtos, com cuidados temporários e superficiais.
Empresas que focam apenas na redução de absenteísmo precisam entender que existem um problema bem maior: o presenteísmo.
E, na maioria das empresas, ele custa mais caro do que o afastamento.
Mas o mercado insiste em ignorar essa realidade.
Cada corpo reage de um jeito à dor
A dor é uma realidade nas empresas. E o seu controle é um desafio constante.
Palestra motivacional não resolve.
Checklist ergonômico, sozinho, não resolve.
Porque nenhuma dessas estratégias atua em um ponto muito importante: o comportamento diante da dor.

O que as empresas que têm resultados diferentes fazem
Empresas que começam a ter resultado real fazem um movimento diferente.
Elas saem do modelo básico e passam para um modelo estratégico, que inclui:
1. Educação em dor baseada em ciência
2. Exposição progressiva ao movimento
3. Estratégias de autocuidado aplicáveis na rotina de trabalho
4. Intervenção precoce em quadros persistentes
5. Integração entre saúde física e comportamento
Isso não é sobre conforto. É sobre desempenho sustentável.
Ignorar a dor é menosprezar os resultados
Uma empresa que ignora a dor no trabalho está, na prática, aceitando:
- menor produtividade
- maior rotatividade
- aumento progressivo de afastamentos
- e custos invisíveis que não entram no relatório mensal
A pergunta que fica é: quanto a sua empresa já deixou de ganhar enquanto acreditava estar economizando?
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