Dor na relação pode ser endometriose?

Sentir dor na relação nunca foi – e nunca será – normal.

Mesmo que muitas mulheres ainda escutem que é assim que tem que ser.

Existe um grande mito de que o desconforto pode fazer parte do momento de intimidade, mas essa crença equivocada só vai atrasar a busca por ajuda e aumentar o sofrimento dessa mulher.

Além disso, a dor na relação é um dos sintomas mais comuns nas mulheres com endometriose – uma doença inflamatória crônica que acomete 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva e que pode comprometer a qualidade de vida.

Diante desses dados, a dúvida que costuma surgir é: a dor na relação está sempre relacionada à essa doença?


Dor na relação e endometriose: qual é a relação?

Como dito anteriormente, não é raro que as mulheres com endometriose sofram com dores no contato íntimo. E esse desconforto pode acontecer antes, durante ou depois da relação.

E qual será a relação entre endometriose e esse tipo de desconforto?

A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, ou seja, pode acometer diferentes estruturas da pelve, como ligamentos, intestino e região atrás do útero.

De maneira resumida, a inflamação gerada por esses focos e o quadro de dor associada, levam ao aumento de tensão da musculatura e, isso muda a forma como o corpo responde ao toque, ao movimento e à penetração.

Além disso, vale a pena pontuar que esse desconforto pode ser na “entrada” ou na penetração mais profunda, dependendo da localização das lesões e dos acometimentos teciduais associados.

Mas os mecanismos que explicam essa ligação não param por aqui.


Quando a dor não vem diretamente da lesão

Muitas mulheres acreditam que a dor na relação está sempre ligada à presença dos focos de endometriose.

Mas nem sempre é assim.

A dor pode persistir mesmo após tratamento clínico ou cirúrgico.
E isso acontece porque, com o tempo, o corpo passa por adaptações importantes.

Entre elas:

  • aumento da sensibilidade na região pélvica,
  • tensão constante da musculatura do assoalho pélvico,
  • resposta de proteção durante a relação.

Ou seja, o corpo aprende a se defender da dor — mesmo quando o estímulo inicial já não está mais presente.

E é por isso que algumas mulheres continuam sentindo dores, mesmo após o tratamento.


O papel da musculatura pélvica

Um dos fatores mais importantes — e muitas vezes negligenciado — é o comprometimento da musculatura da pelve.

Quando existe dor por muito tempo:

  • os músculos tendem a ficar mais contraídos;
  • há dificuldade de perceber e executar o relaxamento,
  • a penetração pode se tornar desconfortável ou até impossível.

E isso não depende de “força de vontade” ou de “tomar um vinho” para relaxar. Isso é uma forma de funcionamento que essa musculatura desenvolveu para se proteger do estímulo nocivo.


Dor, medo e antecipação

Outro ponto importante a ser considerado é a relação entre dor e expectativa.

Quando a relação já foi dolorosa anteriormente, o corpo pode antecipar esse desconforto. Isso é conhecido como antecipação da dor, ou seja, o corpo entra em reação de defesa, diante da possibilidade da dor acontecer ( e ela pode não acontecer, inclusive, mas o corpo já se preparou para enfrenta-la).

Isso leva a:

  • aumento da tensão muscular,
  • redução da lubrificação,
  • maior sensibilidade,
  • evitação do contato íntimo e possível distanciamento do casal.

Se nenhum tratamento for feito, esse ciclo pode se manter ou até mesmo se intensificar a dor ao longo do tempo.

É muito importante que fique bem claro que os impactos da dor na relação não devem ser reduzidos, somente, a algo físico. O que acontece na vida dessa mulher vai muito além disso. Há o comprometimento da autoestima, da autoconfiança, sensação de incapacidade, frustração, julgamento do outro e até mesmo a possibilidade da perda do relacionamento.

Não dá para normalizar esse tipo de dor.

É preciso reconhecer a sua importância e busca por tratamento especializado.


Existe tratamento para dor na relação?

Sim. E esse é um ponto que precisa ser reforçado.

Dor na relação nunca é normal.
E nem sempre é uma consequência inevitável da endometriose. Até porque, ela pode acontecer em outros contextos, também.

Para tratar esse tipo de dor é preciso considerar:

  • a musculatura pélvica,
  • a mobilidade dos tecidos,
  • o comportamento do sistema nervoso,
  • as adaptações desenvolvidas ao longo do tempo.

E é fundamental que quem guie a abordagem terapêutica seja um profissional qualificado e com vivência em endometriose e dores pélvicas crônicas.


A importância da fisioterapia

A fisioterapia é uma das especialidades mais indicadas para tratar esse tipo de dor. E existem várias formas de se trabalhar a recuperação desses tecidos.

Entre as abordagens frequentemente utilizadas temos:

  • técnicas para reduzir a tensão muscular,
  • direcionamentos para melhora da mobilidade da região pélvica,
  • reeducação do corpo durante o movimento,
  • orientações específicas para o dia a dia

Além disso, estratégias de educação em dor ajudam a reduzir respostas exageradas do sistema nervoso, contribuindo para o controle do desconforto.

O leque de abordagem é bem amplo e cabe ao profissional definir, de acordo com o seu conhecimento, os melhores recursos para o sucesso do tratamento.


A dor na relação pode, sim, estar associada à endometriose.
Mas nem sempre está diretamente relacionada à presença das lesões.

Quando o tratamento considera apenas a doença, outras causas importantes são ignoradas.

Por outro lado, ampliar o olhar para o funcionamento do corpo como um todo, torna possível novas possibilidades de melhora.

Dor na relação pode fazer parte da história de muitas mulheres, mas não precisa fazer parte do futuro.

Existe tratamento.
E quanto antes isso for olhado da forma certa, maiores são as chances de recuperar o conforto, a autoconfiança e a qualidade de vida!

@michelleneryfisio

#dornarelação #endometriose #dorpelvica #endometriosebrasil #cirurgiaendometriose

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Michelle Nery

Olá! Eu sou Michelle Nery, fisioterapeuta especializada em Dor pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Estudo e Pesquisa, palestrante e mentora de negócios. Me formei em 2004, tenho formação no método Pilates e uma trajetória de duas décadas dedicadas ao tratamento da dor crônica.

Minhas especialidades em Fisioterapia
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Michelle Nery

Olá! Eu sou Michelle Nery, fisioterapeuta especializada em Dor pelo Albert Einstein Instituto Israelita de Estudo e Pesquisa, palestrante e mentora de negócios. Me formei em 2004, tenho formação no método Pilates e uma trajetória de duas décadas dedicadas ao tratamento da dor crônica.

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